KARANÉ TXICÃO

Eu nasci em 1982, na aldeia Txicão, filho de pai Ikpeng e mãe Waura. Eu sempre tive um sonho de ser mecânico ou ator de filmes, inspirado no filme do Rambo. Quando teve uma oficina de vídeo no Posto Indígena Diauarum (Xingu), em 1997, eu quis participar achando que eu aprenderia a ser ator. Mas o curso era para aprender câmera.

Quando peguei pela primeira vez na câmera eu achava que eu já filmava editado, como nos filmes que eu assistia na TV, mas com tempo fui entendendo que não era assim o processo de fazer filmes. O primeiro material que editei com o Kumaré sobre a festa Moyngo, que depois virou o filme “Moyngo, o sonho de Maragareum”, me incentivou a fazer outros, voltados para minha comunidade Ikpeng. Depois veio o filme “Das crianças Ikpeng para o mundo” que abriu portas para participarmos de festivais nacionais e internacionais. Isso foi muito importante para mostrar quem somos nós para a sociedade não indígena. Fiz também um documentário sobre higiene bucal, um projeto da Colgate. Sempre acompanhei de perto a edição dos filmes ao lado das editoras profissionais, até que um dia chegou minha vez de pôr a mão na massa. O filme “Pirinop, meu primeiro contato” me deu a oportunidade de pegar na edição, um dos filmes mais trabalhoso que eu já fiz. Meu último filme, que fiz com o Kamatxi e a Mari, foi lançado durante a inauguração da Casa de Cultura MAWO. Ele conta um pouco sobre como os cantos do Yumpuno foram gravados e qual e a importância do ritual para o povo Ikpeng. Hoje eu sou coordenador da MAWO, indicado pela minha comunidade. Pretendo aperfeiçoar meu conhecimento aprendendo a usar as novas tecnologias que estão surgindo. Mas o meu sonho de ser um ator ainda não se realizou. Sou casado com Cristina Ikpeng há mais de 12 anos e com ela tenho 3 filhos: Pepuy, Waya e Kamihïakarï.

Foto: Mari Corrêa