HISTÓRIA DA ESCOLA AMURE

As aulas na nossa primeira escola aconteciam em salas improvisadas, com professores não-índios contratados pela Funai. Isso ocorreu na década de 80. Naquela época a escola servia para alfabetizar crianças e adultos Ikpeng na língua portuguesa. Os que aprenderam passaram a ensinar o português para os outros Ikpeng.

Em 1990, alguns jovens assumiram o trabalho na sala de aula. Em 1994, a organização não governamental Mata Virgem iniciou o Curso de Magistério Yryku/Itaenyfuk (Urucum/Pedra Brilhante) para formar professores indígenas, desenvolvido de 1996 a 2005 pelo Instituto Socioambiental. Passamos então a construir nosso alfabeto, com a assessoria de lingüistas, para alfabetizar as crianças na língua materna. Discutimos como deveria ser a escola Ikpeng e, a partir daí, escrevemos nosso primeiro projeto político pedagógico para as séries iniciais (1ª a 4ª) e criamos o primeiro livro de alfabetização em nossa língua: “Ikpeng Orempanpot”. Tínhamos então três professores: Korotowï, Maiua e Iokoré Ikpeng.

A expressão “Amure ompan rakterï” quer dizer que a escola é um espaço de aprendizagem para todos. Hoje a nossa escola faz parte da rede pública estadual, conta com onze professores e 184 alunos. A educação escolar indígena, específica, intercultural e bilíngue é um direito conquistado pelos povos indígenas e inscrito na Constituição brasileira.

Foto: Renata Gauche