PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO

O Projeto Político-Pedagógico (PPP) é um documento da Escola Ikpeng que foi construído ao longo de dois anos. A elaboração deste Projeto possibilitou muitas reflexões entre professores, alunos e a comunidade para a construção de um novo caminho para a escola, em harmonia com o nosso dia-a-dia, com a satisfação dos mais velhos, que foram contemplados e ouvidos. Este Projeto serve como referência para a nossa prática escolar.

A escola Ikpeng deve acompanhar o ritmo diário da vida do povo Ikpeng, de acordo com a orientação dos mais velhos. Ela deve valorizar a prática dos afazeres diários, que são acima de tudo, a forma de ensinar e aprender a tradição passada de pais para filhos, de avós para netos.

A escola deve respeitar o calendário de atividades tradicionais como a roça, a coleta e a festa, que vai de maio até agosto. Se os mais velhos solicitarem a participação dos alunos nos trabalhos tradicionais, isso deve fazer parte da nossa formação. É o cacique e a comunidade que devem liderar essas atividades, por isso deve ter sempre reuniões dos professores e representantes do Kwak Kwak Txiktxi (Movimento Jovem Ikpeng) com eles, para que possam refletir juntos sobre a escola. Como os professores não têm os conhecimentos dos mais velhos, o desafio para eles é se juntarem aos seus alunos para aprenderem mais com eles.

A escola é apenas o lugar de referência para refletir sobre os conhecimentos do povo Ikpeng e dos não-índios, sendo que nem tudo se aprende nela, mas em todo o ambiente que envolve a nossa cultura.

Entre os jovens há os que têm a expectativa de se formar para ter um emprego e até a possibilidade de trabalhar na cidade, mas muitos jovens se questionam sobre o futuro e acreditam que não vão sair para a cidade, vão ficar para pescar, dançar e manter o modo de vida Ikpeng. Os jovens desejam que a escola ensine a fazer documentos para autoridades, relatórios, querem ter aulas práticas, receber conselho dos mais velhos, relembrar como os antigos praticavam seus conhecimentos. É isso que querem levar para o futuro através da escola: os conhecimentos Ikpeng e os dos tupi, que é como chamamos os não-índios.

Durante a construção do PPP, a comunidade solicitou que a escola recebesse um nome na nossa língua. Os sábios Tome e Oiope Ikpeng a nomearam Amure, que foi um dos criadores do povo Ikpeng, que nasceu junto com outros ancestrais, como Kapulik, Onongyewï, Magra e Raegï.

Com a experiência que fomos adquirindo somada com a dos mais velhos, construímos nossa metodologia de ensino. Esse documento finaliza uma etapa de trabalho que juntou a assessoria pedagógica do Instituto Socioambiental, os professores, alunos, funcionários, pais e a comunidade como um todo.

Foto: Renata Gauche